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Sua empresa usa toda tecnologia que paga?
Só em 2025, o Ministério da Gestão identificou R$ 831 milhões em desperdícios nos contratos de TI do governo federal
Nos últimos meses, chefes financeiros, jurídicos e de operações passaram a questionar contratos assinados há anos, fornecedores nunca auditados e licenças de software que ninguém sabe se ainda estão sendo usadas. O gatilho mais recente veio do setor público: em janeiro de 2026, o TCU aprovou uma auditoria ampla sobre contratos de TI da administração federal após identificar superfaturamento sistemático, incluindo um caso em que um software vendido como solução personalizada tinha mais de 90% de similaridade com códigos já existentes em outros órgãos. Segundo o Ministério da Gestão e Inovação, só em 2025 a revisão de 37 contratos de TI gerou uma economia de R$ 831 milhões antes mesmo das licitações começarem.
"Quando uma empresa chega até nós, a primeira coisa que fazemos é mapear o que ela está pagando de verdade. E o que encontramos, quase sempre, surpreende: contratos duplicados, serviços contratados e não utilizados, fornecedores que entregam menos do que foi acordado e ninguém percebeu porque nunca houve uma revisão formal. O problema não é a tecnologia em si. É que a maioria das organizações cresceu em ritmo acelerado, digitalizando processos ao longo do caminho, sem parar para checar se o que estava sendo contratado ainda fazia sentido", afirma João Neto, CEO da Unentel.
A resposta do mercado não tem sido apenas cortar, tem sido reorganizar com critério. Empresas estão passando pente fino em toda a cadeia, da infraestrutura de rede e dispositivos até cibersegurança e comunicação, mapeando sobreposições, ociosidade e risco exposto. Nesse processo, o modelo TaaS substitui a compra tradicional de equipamentos por acesso contínuo à tecnologia com suporte e gestão embutidos. Segundo relatório da Grand View Research, o mercado global de Security as a Service já ultrapassa US$ 17 bilhões e deve chegar a US$ 55 bilhões até 2033.
O que torna essa revisão ainda mais estratégica é a oportunidade que ela abre nas cláusulas. Definir com clareza os níveis de serviço, os critérios de reajuste, a proteção de dados e a propriedade das informações geradas durante o contrato deixou de ser detalhe jurídico e passou a ser vantagem competitiva. Com a LGPD consolidada e o ritmo de auditorias regulatórias aumentando, empresas que aproveitam esse momento para estruturar melhor seus acordos saem na frente, com mais previsibilidade, menos risco e contratos alinhados ao que o negócio realmente precisa hoje.
"A pergunta que toda empresa deveria estar fazendo agora não é 'quanto estou gastando com tecnologia', mas 'o que estou recebendo em troca de cada real que pago'. Contratos bem estruturados, com entregas mensuráveis, responsabilidades claras e modelos flexíveis. A empresa que sabe exatamente o que contratou, o que recebe e o que pode renegociar tem uma capacidade de resposta muito maior quando o mercado muda.", conclui João Neto.