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Sua empresa paga por tecnologia todos os meses, mas sabe exatamente pelo quê?
Mais de 70% das empresas já operam com tecnologia por assinatura, mas até 30% dos contratos não são totalmente utilizados, exigindo revisões constantes
Em muitas empresas, a tecnologia virou uma linha fixa no orçamento, previsível, recorrente e, na teoria, controlada. Mas, na prática, poucos gestores conseguem detalhar com clareza o que está sendo pago, o que está sendo usado e o que ainda faz sentido dentro da operação.
Esse cenário se intensifica com o avanço do Technology as a Service (TaaS), modelo que cresceu justamente por prometer organização financeira e acesso contínuo à inovação. Um relatório divulgado nesta semana pela IDC mostra que os investimentos em soluções sob demanda seguem em expansão acelerada em 2026, mas o uso eficiente desses contratos ainda está longe de ser regra.
“O TaaS trouxe um ganho importante de previsibilidade e eliminou barreiras de entrada para tecnologia. Só que ele exige um nível de gestão que muitas empresas ainda não estruturaram”, afirma Vera Thomaz, CMO da Unentel.
O ponto de virada está menos na escolha da solução e mais na forma como ela é gerida ao longo do tempo. Empresas que conseguem extrair valor real do modelo adotam uma lógica simples, mas pouco aplicada: tratam contratos de tecnologia como algo dinâmico. Isso inclui mapear uso por área, identificar licenças ociosas e, principalmente, cruzar dados financeiros com dados operacionais, prática que revela distorções que não costumam aparecer isoladamente.
Outro ajuste que vem ganhando espaço é a revisão contratual periódica com base em comportamento real de uso, e não em projeções passadas. Em vez de renovar pacotes automaticamente, empresas mais maduras têm revisitado escopo, volume e até fornecedores, transformando o TaaS em uma ferramenta ativa de otimização em vez de só um modelo conveniente de pagamento.
Há ainda um movimento mais estratégico: centralizar a gestão de contratos tecnológicos para evitar decisões pulverizadas entre áreas. Quando diferentes times contratam soluções sem uma visão integrada, o TaaS perde um de seus principais benefícios, a organização. Já quando existe governança, o modelo passa a contribuir para redução de risco, previsibilidade e melhor alocação de recursos.
“O ganho do TaaS aparece quando a empresa começa a ajustar o contrato à realidade e não o contrário. Pequenas revisões, feitas com frequência, têm um impacto muito maior do que grandes cortes pontuais”, conclui Vera.