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06 Fevereiro, 2026

O desafio das empresas familiares não é só expandir — é atravessar gerações

O desafio das empresas familiares não é só expandir — é atravessar gerações

Por Frederico Passos, CEO da Unentel

Empresas familiares que atravessam décadas sabem que o maior desafio não está apenas em crescer, mas em permanecer relevantes. Dados recentes do IBGE, divulgados em 2025, mostram que apenas três em cada dez negócios familiares chegam à terceira geração. Na maioria dos casos, o problema não está na falta de mercado, mas na dificuldade de equilibrar tradição e inovação.

É nesse ponto que a tecnologia ganha protagonismo. Quando planejada com visão de longo prazo, ela se torna o elo entre gerações, garantindo que a história construída até aqui sirva de base para as próximas transformações.

Conectar diferentes gerações dentro da mesma empresa exige mais do que boa vontade; exige estrutura. A liderança que enxerga a tecnologia como parte da estratégia — e não apenas como uma ferramenta — cria um ponto de encontro entre visões distintas: de um lado, a experiência e o olhar cauteloso das gerações fundadoras; de outro, a agilidade, o domínio digital e a busca por inovação.

Quando a operação é sustentada por sistemas integrados e dados confiáveis, o diálogo muda. As decisões deixam de depender de percepções individuais e passam a se apoiar em evidências. Isso reduz ruídos, fortalece a governança e traz clareza sobre o que realmente gera valor para o negócio.

Nos últimos meses, muitas empresas vêm reestruturando suas bases tecnológicas justamente para garantir essa continuidade. A integração de sistemas legados com novas plataformas permite que informações históricas se conectem a processos mais modernos, sem perda de conhecimento. É uma evolução que preserva o que deu certo, ao mesmo tempo em que abre espaço para novas práticas. Esse equilíbrio é o que diferencia empresas que envelhecem daquelas que amadurecem.

A transparência também ganhou peso nessa equação. Ambientes em que indicadores são claros, resultados são acompanhados por todos e dados estão acessíveis a diferentes áreas tendem a gerar mais confiança entre as lideranças. Esse aspecto se torna ainda mais decisivo quando a segurança entra em pauta. Segundo a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), o número de incidentes cibernéticos cresceu 18% neste ano. Proteger informações é, além de um requisito legal, um compromisso com a continuidade do negócio. Afinal, nada coloca mais em risco um legado do que a perda de dados críticos ou a interrupção das operações.

Outro ponto essencial é a governança da inovação. Inovar não significa romper com o que veio antes, mas evoluir a partir do que já existe. Criar espaços em que diferentes gerações participem das decisões tecnológicas ajuda a garantir que a inovação seja construída com propósito, e não como resposta a modismos. Quando há clareza nos processos, abertura

ao diálogo e alinhamento de expectativas, a tecnologia deixa de gerar resistência e passa a ser vista como uma ferramenta de protagonismo compartilhado.

No fim, o que sustenta uma empresa ao longo das décadas é a capacidade de alinhar passado e futuro em uma mesma visão. A tecnologia é o que torna isso possível. Ela preserva o conhecimento, organiza informações e dá suporte a decisões que atravessam o tempo. Assim, o legado não fica apenas na lembrança — torna-se uma base viva, capaz de sustentar as próximas gerações.

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